Aos pés da Montanha
(Camila Alves)
Ao tentar achar o pote de ouro segui arco-íris.
Em busca da sorte contei as folhas dos trevos.
De bem me quer a mal me quer...
Suspirei e chorei
Avistei imensos oásis.
Atirei-me de cabeça.
E me quebrei feio.
Eram somente frutos da imaginação de uma pobre alma sedenta.
Da informação que aliena
À liberdade que impõe um modelo...
Fui marionete.
Dos meus vícios, a maioria não me dei conta.
Passam-se os anos, pesam-me o corpo cada vez mais.
O espírito ficou enfraquecido pelas frustrações
Dos sonhos que o mundo me vendeu.
E eu já paguei preços altos...
Aos pés da montanha, silêncio.
Olho para os céus.
Brisa leve...
Doce refrigério.
Tudo isso já merece um basta!
Grita meu coração.
Que não fica sem reposta.
Ecoa a Montanha:
Vem, sobe!
Quebra o bico velho e curvado.
Arranca as unhas fracas.
Retira as penas que lhe pesam sobre o corpo.
Refugia-se em mim e eu te guardarei.
Cuidarei de tuas feridas e curarei tuas lepras.
Dar-te-ei de comer e de beber...
E como rocha será teu espírito.
Escolhe, pois, a vida!
Vive o tempo de retiro.
Espera o momento propício...
E então, livre e forte, voará novamente.
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"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.
Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito e fica difícil voar.
Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido e longo processo de renovação.
Se a escolha for viver, ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar e ficará a salvo dos predadores. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos."
Parábola ou sabedoria da natureza? Cada um acredita no que quiser. Muitos dizem ser lenda, outros afirmam ser verdade tal história... É como dizia o poeta: "A verdade é sempre vista conforme nossos caprichos, ilusões e miopias".
Mas não posso deixar de afirmar que é um belíssimo exemplo.
Numa sociedade que vive cada vez mais a superficialidade, que joga as sujeiras para debaixo do tapete, que mascara a própria vida buscando uma solução fácil, porém falha. A nossa águia nos mostra que a solução está no encarar-se, uma difícil escolha por sinal.
E esse "encarar-se" começa em retirar-se do mundo, ficam então só ela e a montanha. E confiante na proteção da montanha, a águia tem a coragem de se libertar de tudo que lhe impede de voar através de um processo longo e doloroso, mas vital.
É incrível como a natureza nos instrui, mas o homem ainda busca soluções alternativas que variam de aderir modas, tribos, ideais e até psicólogos e cirurgias plásticas... Tudo para mudar sem ter que se encarar! Buscando no outro e no exterior a mudança desejada.
Mas a mudança começa de dentro, é mudando o interior através de um retiro do mundo, uma reflexão profunda que se renasce livre e forte para voar.
Mas atenção!!!
Tudo começa aos pés da montanha, o chamado e a coragem que brotam no coração.
Subir até a montanha é uma escolha livre e individual.
Mas sem a montanha esse renascer é impossível!
E essa montanha é JESUS!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Aos pés da Montanha
Pegadas deixadas por
Camila Alves
às
10:35
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