Na gaiola
(Camila Alves)
Passarinho preso desde novo
Só conhece seu pequeno mundo na gaiola...
Mas seu instinto sabe que seu mundo mesmo
É aquele lá fora.
O homem quer cuidar.
Ama o passarinho, canta pra ele cantar.
Passarinho na gaiola, de poleiro em poleiro canta seu choro...
Passarinho quer voar.
Que amor é esse?
Amor tolo, egoísta...
Que cuidado é esse?
Dá pra cuidar sem o privar da vida.
Passam dias e noites, tudo se repete.
Como um rei, passarinho é servido...
Tem água, comida e até música pra escutar.
Vai passear passarinho, mas sem sair do lugar.
Passarinho só quer ser passarinho!
Ninhos construir, procriar e aos seus alimentar.
Cantarolar sua alegria
De livre poder voar.
Quer ir para o sul, para o norte...Fugir do frio.
Mas de repente, lá se vão seus planos.
Pra proteger o passarinho,
Encobrem a gaiola com algum pano.
Passam lentos os dias na clausura.
A rotina é a mesma, só que agora tudo é mais escuro...mais vazio.
Passarinho até se acostuma...
De tempo em tempo pelo menos ele se “aventura”.
Passarinho já não sabe o que lhe dá mais medo:
Se sua vida solitária e desejosa
Ou a imensidão do seu mundo desconhecido...
Quando, por descuido, deixam aberta a porta da gaiola.
“Ora, mas passarinho morre fora da gaiola!”
Diz seu criador.
Então pergunto eu:
Quem disse que passarinho vivia dentro dela?
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Na gaiola
Pegadas deixadas por
Camila Alves
às
08:56
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