quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O espinho na carne

O espinho na carne
(Camila Alves)

Ventos fortes sopraram...
Por seis vezes minha casa caiu.
Na sétima firmei os alicerces,
A tempestade passou e a casa permaneceu intacta.

Perdi-me pelo caminho...
Por seis vezes andei em círculos.
Na sétima clamei por ajuda
E encontrei a direção.

Tive inveja...
Por seis vezes pedi e nada me foi concedido.
Na sétima agradeci por tudo que tinha
E meu coração se alegrou.

Tive pressa...
Por seis vezes troquei os pés pelas mãos.
Na sétima tive paciência,
Perseverei e obtive a misericórdia.

Ludibriaram-me, perseguiram-me e riram de mim...
Por seis vezes entristeci-me.
Na sétima já não me abalei,
Mas a alegria dos perversos sim.

Até os que mais amo me feriram...
Por seis vezes guardei mágoa.
Na sétima perdoei
E tive paz.

Vieram-me as tentações...
Por seis vezes pequei.
Na sétima me arrependi e resisti.
Fui perdoado e meu espírito foi purificado.

Colocaram-me rédeas...
Por seis vezes fui pacífico e consenti.
Na sétima lutei pela minha liberdade
E tive vida em abundância.

A ignorância cochichou aos meus ouvidos...
Por seis vezes escutei.
Na sétima afastei-me
E a venda dos meus olhos caiu.

Avistei a porta da sabedoria...
Por seis vezes abri, olhei e nada compreendi.
Na sétima tive entendimento
E meus olhos viram além.

Tive dúvidas...
Por seis vezes aceitei meus próprios conselhos.
Na sétima ouvi a voz do meu coração
E não me arrependi.

Fui chamado...
Por seis vezes com medo disse não.
Na sétima tive coragem
E com amor fui acolhido.

Vieram-me as tribulações...
Por seis vezes me desesperei.
Na sétima tive fé
E minha paz foi restituída.

Disseram-me: Tu não és capaz!
Por seis vezes acreditei.
Na sétima respondi: Tudo posso naquele que me fortalece!
E venci.

Certo de que fraquezas sempre terei
E meus pés voltarão a vacilar,
Não somente por sete vezes serei fortalecido...
Mas sim setenta vezes sete!


Cum enim infirmor, tunc potens sum.

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